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Partido dos Animais: experiência única que vem da Holanda

agosto 26, 2009

Niko Koffeman

foto de Niko KoffemanCriado em 2002, o Partido dos Animais da Holanda reune pessoas que acreditam ser possível defender politicamente o interesse dos bichos. Inicialmente visto com descrença, o partido foi pouco a pouco se colocando como uma alternativa real para aqueles que se preocupavam com a forma como os animais são tratados. Para grande surpresa dos críticos, em 2006 o partido conquistou duas das 150 cadeiras do parlamento. Em 2007, nas eleições distritais da Holanda, foram mais nove cadeiras num total de oito províncias, e uma cadeira no senado. O cargo de senador pelo Partido dos Animais é hoje ocupado por Niko Koffeman, economista formado pela Universidade de Roterdam e um dos idealizadores do partido. Koffeman é desde a juventude ativista pelos Direitos dos Animais. Participou de campanhas contra o uso de animais em laboratório, contra esportes exploratórios e as caçadas promovidas pela família Real da Holanda. Antes de entrar para o Partido dos Animais, ele trabalhou como consultor em comunicação e estratégias de propaganda para o Partido Socialista. Durante este período, ajudou o partido a conquistar suas primeiras 25 cadeiras no congresso. Hoje Koffeman, além de senador, também atua em outras organizações, como a Fundação Nicolas G. Pierson (espécie de braço científico do Partido dos Animais). Ano passado, esta fundação produziu o DVD “Meat the Truth” (Uma Verdade Mais que Inconveniente). O filme é uma resposta ao filme de Al Gore, que vergonhosamente não fala sobre a questão da carne e da pecuária. Também é co-fundador da Wakker Dier, uma organização que luta pela abolição das fazendas industriais. Ele concedeu uma entrevista exclusiva à repórter da ANDA, Mariana Hoffmann, durante o 12º Festival Internacional Vegano realizado entre os dias 22 e 25 de julho no Rio de Janeiro, promovido pela Sociedade Vegetariana Brasileira.

ANDA – Qual a importância de criar um partido para defender os animais?

Niko – Os grupos de ativismo animal normalmente entram na esfera política falando com políticos de suas questões, mas estes políticos logo os esquecem, pois estão mais preocupados com outras coisas. Já existindo um partido animal, a questão ganha visibilidade e relevância contínua. Outra vantagem é que, criando um partido político formal se afasta a ideia de que ativistas animais são “terroristas” (infelizmente esta ideia ainda é forte na Holanda, por conta do assassinato de um político holandês em 2002 cometido por um ativista dos direitos dos animais).

ANDA – O senhor falou que considera uma vergonha ter que existir um partido para defender os animais. Pode explicar?

Niko – É uma vergonha que tenha que existir um “Partido Animal”, esperamos que ele deixe de ser necessário no futuro. E isso pode acontecer se os outros partidos passarem a perceber a relevância das questões dos Direitos dos Animais e efetivamente incluam nos seus programas essas questões. Já há uma busca maior dos partidos tradicionais por tais temas devido a própria existência do Partido dos Animais. Mas quanto mais um tema é visto como fundamental, menos necessária é a sua defesa.

ANDA – Apesar de ter poucas cadeiras o Partido dos Animais é influente?

Niko – Sim, o Partido dos Animais é o partido que mais cresce na Holanda (começou há 7 anos com 3 pessoas e hoje inclui cerca de 10 mil, muitos sendo eleitores que antes não votavam sequer, por não se sentirem ouvidos). Nosso partido está por trás dos principais debates sobre os Direitos dos Animais e bem-estarismo no parlamento, temos uma força política maior que nossa dimensão no congresso (que hoje conta com 2 participantes). Os outros partidos temem tal crescimento, percebem que o povo considera importante as questões colocadas por nós, percebem a aplicação dos 4 princípios básicos do partido e buscam nossos congressistas para “desempatar” votações importantes.

ANDA – Quais são os princípios básicos do partido?

Niko – Nossos princípios são Compaixão, Sustentabilidade, Liberdade Pessoal e Responsabilidade Pessoal. Não somos de direita ou de esquerda, mas primamos por estes valores que são ou deveriam ser universais.

ANDA – Imagino que muitas pessoas devem criticá-los por defender apenas os animais.

Niko – Sim, isso ocorre com frequência. Muitas pessoas nos dizem “como vocês podem estar preocupados com os animais se há tantas pessoas morrendo de fome no mundo?”. Então explicamos que a fome no mundo tem tudo a ver com a maneira com que nos relacionamos com os animais, que grande parte da produção agrícola vai para os rebanhos de gado ao invés de alimentarem populações inteiras. E isso porque damos preferência a uma dieta baseada no consumo de carne. Enfim, fazemos esta ponte, e muitos ficam surpresos com esta realidade.

ANDA – Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória como ativista e político.

Niko – Antes de entrar para o Partido Animal eu trabalhava como consultor em comunicação e estratégias de propaganda para o Partido Socialista. Durante este período, auxiliei o partido a conquistar 25 cadeiras no congresso, partindo do zero. Também atuo em diversas organizações, uma delas é a Fundação Nicolas G. Pierson, que é uma espécie de braço científico do Partido dos Animais. Ano passado, esta fundação produziu o DVD “Meat the Truth” (Uma Verdade Mais que Inconveniente). O filme é uma resposta ao filme de Al Gore, que vergonhosamente não fala sobre a questão da carne e da pecuária. Como ativista, já fiz campanhas contra os esportes de caça e contra as caçadas promovidas pela família Royal. Também sou co-fundador da Wakker Dier, uma organização que luta pela abolição das fazendas industriais.

Link original da matéria no site ANDA News:

http://www.anda.jor.br/?p=13863

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