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Doze passos para um mundo melhor

agosto 14, 2009

Coeficiente de inteligência espiritual é o que nos faz reconhecer o impacto de cada uma de nossas ações no mundo e nos sentir parte de um todo interconectado, é o que diz a física e filósofa americana Danah Zohar

Thays Prado. Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 27/07/2009

A americana Danah Zohar, física e filósofa pelo MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets e pós-graduada em estudos sobre religião em Harvard, acredita que ninguém, sozinho, será capaz de salvar a humanidade, mas a mudança precisa começar em cada indivíduo de modo que, juntos, ainda possamos criar um mundo diferente. Citando o psicanalista Carl Gustav Jung, ela diz que “se há algo errado com o mundo, é porque algo está errado comigo. Se eu quero endireitar o mundo, preciso endireitar a mim mesmo”.

A solução para tudo o que consideramos errado no mundo, nem sempre será encontrada pelas vias da lógica e do racionalismo. Para a pesquisadora, além de nosso QI – Coeficiente de Inteligência, será fundamental desenvolvermos também um QE – Coeficiente de Inteligência Emocional e mesmo um QS – Coeficiente de Inteligência Espiritual que, ela adianta, não tem nada a ver com religião.

Segundo Danah, é por meio desse tipo de inteligência que enxergamos um sentido para a vida e nos damos conta de que o que pensamos, sentimos e somos interfere diretamente sobre o todo. Ela diz que, de acordo com pesquisas recentes, 94% dos seres humanos ainda agem com base em motivações negativas de medo, raiva e egoísmo, mas defende que já é tempo de mudarmos de paradigma e sermos motivados pela cooperação e pelo bem do planeta.

Para isso, ela enumera 12 princípios que nos ajudariam a assumir uma postura mais responsável diante da própria vida e a encontrar mais sentido para a existência humana.

1. Uso positivo das adversidades: em vez de assumir uma posição de vítima, devemos aproveitar os momentos de crise para nos fortalecer e pensar em novas soluções;
2. Consciência de si mesmo: saber quem somos, quais são nossos valores mais profundos, perceber o que nos motiva a viver e pelo que seríamos capazes de morrer é uma das maneiras de ir além do ego e fazer a diferença no mundo;
3. Humildade: deixarmos de ser a espécie mais arrogante do planeta e entender que somos parte de um mundo bem maior, com bilhões de respeitáveis pontos de vista;
4. Compaixão: sentir a dor e a alegria do outro como se fosse nossa e perceber que fazemos parte do todo;
5. Visão e valor: transcender o egoísmo e desenvolver a capacidade de servir aos outros, assumindo um compromisso de fidelidade e excelência com as relações, o trabalho e o planeta;
6. Espontaneidade: viver o momento presente, encarando cada problema ou questão como nova;
7. Holismo: entender que no mundo não há separação entre os indivíduos e a natureza e a maneira como um indivíduo vive afeta o todo;
8. Fazer perguntas fundamentais e profundas: questionar-se é criar oportunidades para agir de modo diferente, adquirir mais consciência e sair do sistema;
9. Reformulação de paradigmas: mudar modelos mentais e a visão que temos de nós mesmos, da vida, dos negócios, da educação etc.;
10. Habilidade para ir contra a corrente: seguir os próprios princípios sem medo de ser diferente;
11. Celebrar a diversidade: perceber os benefícios da diferença e a oportunidade de aprender com o outro e
12. Senso de vocação: sentir que há um propósito na vida e que cada um pode fazer a sua parte naquilo que tem de melhor.

O Planeta Sustentável conversou com a pesquisadora durante o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade para entender melhor alguns desses pontos.

Muita gente tem associado a crise financeira a uma oportunidade de transformação geral para o planeta. Na sua opinião, o que podemos aprender com esse momento?
Se não há crise, não paramos para pensar, não fazemos grandes perguntas e vivemos superficialmente de momento em momento. Quando acontece uma crise, levamos as coisas mais a sério, pensamos sobre as questões que afligem as pessoas e nos perguntamos: Ei, o que está acontecendo aqui? O que estou fazendo de errado? O que meus amigos estão fazendo de errado? O que podemos fazer para que o mundo fique melhor?

Você valoriza o exercício de fazer perguntas profundas. Qual é a importância desses questionamentos?
Quem quer viver uma boa vida deve fazer perguntas profundas. É necessário se perguntar: Para que eu nasci? Por que eu tenho uma vida? O que eu preciso fazer aqui? Isso faz com que a gente leve a vida mais a sério. Normalmente, as pessoas se perdem a cada minuto pensando: “O que eu vou comprar para me sentir bem?” ou “O que eu vou fazer agora para me sentir melhor?”. Elas pensam apenas no momento presente, mas se fizerem perguntas profundas sobre a razão de suas vidas, se tornarão seres mais responsáveis.

Essa atitude questionadora está relacionada a uma Inteligência Espiritual? Explique melhor seu conceito de “QS”.
Inteligência Espiritual é a maneira como dou sentido à vida, acessos meus valores e propósitos. É minha inteligência moral, minha consciência, minha preocupação com as questões sociais. Por meio dela, questionamos quem somos, criamos e quebramos paradigmas, ficamos mais comprometidos e encontramos novas soluções que permitam ao mundo ser diferente e melhor.

Mas, atualmente, os seres humanos ainda valorizam mais o raciocínio lógico, medido pelo QI.
Há uma preferência maior pelo uso do QI, sim. Mas eu acho que cada vez mais pessoas têm ficado conscientes de que precisam trazer seus valores à tona e verificar o que realmente é importante para elas. Essa já é uma prática comum entre os jovens, que querem que o emprego ou a atividade que exerçam tenha um significado maior para eles. E a preocupação também está crescendo no círculo dos negócios, porque eles estão percebendo que as pessoas ficam mais tempo nos empregos que fazem sentido para elas.

Essa transformação que o mundo anseia acontece a partir de cada indivíduo?
São os indivíduos que fazem as coisas acontecer e afetam a sociedade. Sozinha, eu não posso barrar o aquecimento global, mas se eu me juntar às pessoas nas ruas, usar a internet e fazer pressão sobre os políticos, posso gerar uma transformação. Deixe o mundo saber o que você quer mudar e acredite que pode fazer a diferença, e uma revolução pode acontecer.

Isso tem a ver com o que a Mecânica Quântica chama de realidade holográfica?
A mecânica quântica está relacionada com a ideia de um universo holográfico porque não existe separação, tudo está interconectado, é parte do todo. Tudo o que eu faço, sinto e penso influencia o modo como os outros agem, sentem e pensam, então minhas ações têm uma espécie de responsabilidade global.

Daí a importância de seguirmos nossa vocação e respeitarmos a diversidade, dois dos princípios que você sugere…
Vocação
é ser chamado a fazer algo. Quando alguém percebe que nasceu com um determinado propósito, sente que tem algo sério a fazer com sua vida, que podetransformar o mundo em um lugar melhor do que era quando nasceu. Quando agimos por uma vocação, nossa satisfação vai além de uma sensação momentânea. E também devemos reconhecer que há muitas vocações e pontos de vista nesse mundo e todos são valiosos. Essa é a celebração da diversidade.

Você diz que os seres humanos precisam agir por motivações positivas e não pelas negativas, como costumam fazer atualmente. Qual é a diferença, na prática?
Somos movidos a medo, raiva ou desejo de autoafirmação. Se agimos por motivações negativas, só geraremos resultados negativos, sem conquistar nada de novo, apenas reagiremos. Se possuímos objetivos diferentes, teremos resultados diferentes. Precisamos começar a agir em nome de um propósito maior, de um pensamento a longo prazo. Está na hora de sair de um modelo mental ‘eu, meu e para mim’ para um‘nós, nosso e para nós’. Devemos nos ver como os guardiões do futuro e manter o planeta a salvo para nossos filhos e netos. Deveríamos viver nos perguntando: Como eu posso servir? Não apenas a mim, mas à minha comunidade, minha nação, meu planeta.

Ainda é possível reverter o quadro caótico instalado no mundo?
Se começarmos a agir melhor agora, claro que podemos salvar o mundo. Mas isso requer esforços coletivos, muitos indivíduos trabalhando juntos e, principalmente, fazendo com que os líderes percebam o que as pessoas querem. Em países democráticos, os governantes só pensam em ganhar votos, se eles acham que o que as pessoas querem é dinheiro, tomarão decisões irresponsáveis e a curto prazo. Mas se eles se dão conta de que as pessoas desejam um bom planeta para deixar para as próximas gerações, então vão agir de modo diferente. Na democracia, temos os políticos que merecemos.

A americana Danah Zohar, física e filósofa pelo MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets e pós-graduada em estudos sobre religião em Harvard, acredita que ninguém, sozinho, será capaz de salvar a humanidade, mas a mudança precisa começar em cada indivíduo de modo que, juntos, ainda possamos criar um mundo diferente. Citando o psicanalista Carl Gustav Jung, ela diz que “se há algo errado com o mundo, é porque algo está errado comigo. Se eu quero endireitar o mundo, preciso endireitar a mim mesmo”.

A solução para tudo o que consideramos errado no mundo, nem sempre será encontrada pelas vias da lógica e do racionalismo. Para a pesquisadora, além de nosso QI – Coeficiente de Inteligência, será fundamental desenvolvermos também um QE – Coeficiente de Inteligência Emocional e mesmo um QS – Coeficiente de Inteligência Espiritual que, ela adianta, não tem nada a ver com religião.

Segundo Danah, é por meio desse tipo de inteligência que enxergamos um sentido para a vida e nos damos conta de que o que pensamos, sentimos e somos interfere diretamente sobre o todo. Ela diz que, de acordo com pesquisas recentes, 94% dos seres humanos ainda agem com base em motivações negativas de medo, raiva e egoísmo, mas defende que já é tempo de mudarmos de paradigma e sermos motivados pela cooperação e pelo bem do planeta.

Para isso, ela enumera 12 princípios que nos ajudariam a assumir uma postura mais responsável diante da própria vida e a encontrar mais sentido para a existência humana.

1. Uso positivo das adversidades: em vez de assumir uma posição de vítima, devemos aproveitar os momentos de crise para nos fortalecer e pensar em novas soluções;
2. Consciência de si mesmo: saber quem somos, quais são nossos valores mais profundos, perceber o que nos motiva a viver e pelo que seríamos capazes de morrer é uma das maneiras de ir além do ego e fazer a diferença no mundo;
3. Humildade: deixarmos de ser a espécie mais arrogante do planeta e entender que somos parte de um mundo bem maior, com bilhões de respeitáveis pontos de vista;
4. Compaixão: sentir a dor e a alegria do outro como se fosse nossa e perceber que fazemos parte do todo;
5. Visão e valor: transcender o egoísmo e desenvolver a capacidade de servir aos outros, assumindo um compromisso de fidelidade e excelência com as relações, o trabalho e o planeta;
6. Espontaneidade: viver o momento presente, encarando cada problema ou questão como nova;
7. Holismo: entender que no mundo não há separação entre os indivíduos e a natureza e a maneira como um indivíduo vive afeta o todo;
8. Fazer perguntas fundamentais e profundas: questionar-se é criar oportunidades para agir de modo diferente, adquirir mais consciência e sair do sistema;
9. Reformulação de paradigmas: mudar modelos mentais e a visão que temos de nós mesmos, da vida, dos negócios, da educação etc.;
10. Habilidade para ir contra a corrente: seguir os próprios princípios sem medo de ser diferente;
11. Celebrar a diversidade: perceber os benefícios da diferença e a oportunidade de aprender com o outro e
12. Senso de vocação: sentir que há um propósito na vida e que cada um pode fazer a sua parte naquilo que tem de melhor.

O Planeta Sustentável conversou com a pesquisadora durante o II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade para entender melhor alguns desses pontos.

Muita gente tem associado a crise financeira a uma oportunidade de transformação geral para o planeta. Na sua opinião, o que podemos aprender com esse momento?
Se não há crise, não paramos para pensar, não fazemos grandes perguntas e vivemos superficialmente de momento em momento. Quando acontece uma crise, levamos as coisas mais a sério, pensamos sobre as questões que afligem as pessoas e nos perguntamos: Ei, o que está acontecendo aqui? O que estou fazendo de errado? O que meus amigos estão fazendo de errado? O que podemos fazer para que o mundo fique melhor?

Você valoriza o exercício de fazer perguntas profundas. Qual é a importância desses questionamentos?
Quem quer viver uma boa vida deve fazer perguntas profundas. É necessário se perguntar: Para que eu nasci? Por que eu tenho uma vida? O que eu preciso fazer aqui? Isso faz com que a gente leve a vida mais a sério. Normalmente, as pessoas se perdem a cada minuto pensando: “O que eu vou comprar para me sentir bem?” ou “O que eu vou fazer agora para me sentir melhor?”. Elas pensam apenas no momento presente, mas se fizerem perguntas profundas sobre a razão de suas vidas, se tornarão seres mais responsáveis.

Essa atitude questionadora está relacionada a uma Inteligência Espiritual? Explique melhor seu conceito de “QS”.
Inteligência Espiritual é a maneira como dou sentido à vida, acessos meus valores e propósitos. É minha inteligência moral, minha consciência, minha preocupação com as questões sociais. Por meio dela, questionamos quem somos, criamos e quebramos paradigmas, ficamos mais comprometidos e encontramos novas soluções que permitam ao mundo ser diferente e melhor.

Mas, atualmente, os seres humanos ainda valorizam mais o raciocínio lógico, medido pelo QI.
Há uma preferência maior pelo uso do QI, sim. Mas eu acho que cada vez mais pessoas têm ficado conscientes de que precisam trazer seus valores à tona e verificar o que realmente é importante para elas. Essa já é uma prática comum entre os jovens, que querem que o emprego ou a atividade que exerçam tenha um significado maior para eles. E a preocupação também está crescendo no círculo dos negócios, porque eles estão percebendo que as pessoas ficam mais tempo nos empregos que fazem sentido para elas.

Essa transformação que o mundo anseia acontece a partir de cada indivíduo?
São os indivíduos que fazem as coisas acontecer e afetam a sociedade. Sozinha, eu não posso barrar o aquecimento global, mas se eu me juntar às pessoas nas ruas, usar a internet e fazer pressão sobre os políticos, posso gerar uma transformação. Deixe o mundo saber o que você quer mudar e acredite que pode fazer a diferença, e uma revolução pode acontecer.

Isso tem a ver com o que a Mecânica Quântica chama de realidade holográfica?
A mecânica quântica está relacionada com a ideia de um universo holográfico porque não existe separação, tudo está interconectado, é parte do todo. Tudo o que eu faço, sinto e penso influencia o modo como os outros agem, sentem e pensam, então minhas ações têm uma espécie de responsabilidade global.

Daí a importância de seguirmos nossa vocação e respeitarmos a diversidade, dois dos princípios que você sugere…
Vocação
é ser chamado a fazer algo. Quando alguém percebe que nasceu com um determinado propósito, sente que tem algo sério a fazer com sua vida, que podetransformar o mundo em um lugar melhor do que era quando nasceu. Quando agimos por uma vocação, nossa satisfação vai além de uma sensação momentânea. E também devemos reconhecer que há muitas vocações e pontos de vista nesse mundo e todos são valiosos. Essa é a celebração da diversidade.

Você diz que os seres humanos precisam agir por motivações positivas e não pelas negativas, como costumam fazer atualmente. Qual é a diferença, na prática?
Somos movidos a medo, raiva ou desejo de autoafirmação. Se agimos por motivações negativas, só geraremos resultados negativos, sem conquistar nada de novo, apenas reagiremos. Se possuímos objetivos diferentes, teremos resultados diferentes. Precisamos começar a agir em nome de um propósito maior, de um pensamento a longo prazo. Está na hora de sair de um modelo mental ‘eu, meu e para mim’ para um‘nós, nosso e para nós’. Devemos nos ver como os guardiões do futuro e manter o planeta a salvo para nossos filhos e netos. Deveríamos viver nos perguntando: Como eu posso servir? Não apenas a mim, mas à minha comunidade, minha nação, meu planeta.

Ainda é possível reverter o quadro caótico instalado no mundo?
Se começarmos a agir melhor agora, claro que podemos salvar o mundo. Mas isso requer esforços coletivos, muitos indivíduos trabalhando juntos e, principalmente, fazendo com que os líderes percebam o que as pessoas querem. Em países democráticos, os governantes só pensam em ganhar votos, se eles acham que o que as pessoas querem é dinheiro, tomarão decisões irresponsáveis e a curto prazo. Mas se eles se dão conta de que as pessoas desejam um bom planeta para deixar para as próximas gerações, então vão agir de modo diferente. Na democracia, temos os políticos que merecemos.


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